Tuesday, March 22, 2005

A minha ode triunfal...para ti

A (minha) Ode Triunfal

Quis escrever uma ode triunfal,
Algo conhecido escala mundial.
Uma musica cantada, um poema declamado,
Pelo qual eu fosse lembrado em todo o lado.

Peguei no papel e caneta,
Lembrei-me do melhor escritor, do melhor poeta.
Eis que escrevi a primeira palavra,
Não era aquela que eu procurava.

Procurei no céu e no mar
A inspiração que me estava a faltar.
Procurei no ar e na terra,
Procurei na paz e até na guerra!

Fui até ao fim do mundo e voltei,
Inspirei fundo e expirei.
Fui dormir para sonhar
Talvez algo surgisse ao acordar.

Nada…
Nem uma palavra nem um morfema
Nenhum verso do poema!

Chorei,
Desesperei,
Implorei,
Rezei…



Até que desisti
Peguei no casaco e sai
Fui para a rua onde te vi
E então aí percebi…

A minha inspiração não vem
Nem do céu, nem do mar,
Nem da terra, nem do ar,
Nem de nenhum poder do além.

A minha inspiração vem de ti.
O mais belo poema que já alguma vez li
O mais belo livro que já desfolhei,
A ode triunfal com que eu tanto sonhei.

Monday, March 21, 2005

Apenas um dia normal

Apenas um dia normal

7:30 - Acordo repentinamente com o despertador do telemóvel, o qual desligo com rapidez enquanto me viro para o outro lado e penso: “só mais dois minutos”.

7:48 – Os dois minutos já passaram à muito tempo e só agora tenho a noção de que tenho mesmo que me por a pé.
No entanto fico na cama até que cheguem as 7:50. Um pequeno preciosismo. Gosto de fazer tudo à hora certa.

7:50 – Finalmente levanto-me e, motivado pelas previsões meteorológicas da noite anterior, precipito-me a abrir a persiana na esperança que os raios de sol me ceguem profundamente e me encham da energia necessária para aguentar mais um dia… está a chover. Está cinzento. Não há sol.
Dirijo-me para o armário onde me defronto com a mesma indecisão todos os dias: “A sweat branca da Gap, a sweat vermelha da Gap, ou a sweat preta da Gap?”. Optei por uma sweat azul da Gap. Já estava fora do armário.
Já na casa de banho olho bem para o espelho e pergunto-me se devo ou não desfazer a barba. “Pareço um vadio… bem, desfaço logo à noite quando for sair”.
Arranjo-me rapidamente ao som das músicas típicas das manhãs na rádio, intercaladas pelos comentários com humor (ou não) dos locutores.

8:10 – Encho uma taça de Estrelitas, que comprei por causa do CD que trazia, e como o mais depressa possível.

8:30 - Ainda estou a tomar o pequeno-almoço. Assim que acabo, desço as escadas e dirijo-me ao meu carro. Mal entro, ligo o aquecimento, sem saber muito bem para quê, uma vez que só irá estar realmente quente, quando estiver a chegar ao emprego.

9:00 – Cheguei ao emprego. Ponho os meus headphones e tento falar o menos possível. Às vezes acho que sou a única pessoa inteligente naquela empresa. Detesto quando me dizem :“Bom dia! Então tas por cá hoje?”. Não idiota! Tu ainda estás a dormir e eu estou no teu sonho. Ou, “que olheiras! Dormiste mal esta noite?”. Tipo duh! Não, eu é que sou diferente do resto dos humanos e as minhas olheiras significam que dormi oito horas sem interrupções.

12:30 – Finalmente a hora do almoço. Vou ao MacDonalds mais próximo. Na fila, é inevitável ouvir a conversa entre o funcionário e o indivíduo que está a ser atendido à minha frente. O cliente diz que quer um cheeseburguer sem queijo; o funcionário com um sorriso simpático diz: “quer portanto, um hambúrguer”. O cliente responde com ar ofendido: “Ó jovem, não entendeu o que eu disse? Quero um cheeseburguer, mas sem queijo.” O funcionário, com um sorriso mais forçado volta a tentar convencer o cliente que um cheeseburguer sem queijo é igual a um hambúrguer. O cliente enerva-se, exige a presença do gerente e só sai dali depois de lhe dizerem que levará um cheeseburguer sem queijo.
Resta dizer que o que levou foi um hambúrguer.

16:30 – Por hoje o trabalho está terminado. Vou para o Ismai porque tenho aulas ás 17 horas.

17:05 – Cheguei ao Ismai. Mudo de ideias, não vou ás aulas. Por amor de Deus! Hoje é sexta-feira. Quem consegue ter aulas até ás onze numa sexta-feira?

17:20 – Estou em casa e começo a fazer os telefonemas para a saída de logo à noite. Falo com a minha melhor amiga. Não sabe se vai poder mas se for sair aparece lá. Mando uma mensagem à miúda do segundo ano. Ela não responde. Mando mensagem a uma jovem com tive um fugaz aqui há uns tempos. Está doente, hoje não vai sair. Depois de percorrer quase toda a lista telefónica sem resultados, lembro-me da primeira pessoa a quem devia ter ligado – o meu melhor amigo. Dito assim até parece que ele foi um último recurso, mas a verdade é que com ele é que me divirto mais.
“Então Bro, tá tudo?” – Pergunto eu.
“Ya. E contigo?” – diz ele.
“Tásse. Olha, vamos a algum lado logo à noite?”
Ao que ele responde – “Ya, podemos ir, mas onde tavas a pensar ir?”
A verdade é que não há muito para pensar porque aconteça o que acontecer, marcamos sempre à mesma hora e vamos sempre ao mesmo sítio.

21:15 – Coloco os anéis nos dedos previamente definidos, o perfume das saídas nocturnas, a corrente e as chapinhas de militar. Tudo isto a acompanhar as calças largas à skater e uma camisola branca com carapuço… da Gap.
Já estou pronto, mas só fiquei de me encontrar com ele às 22:30, por isso vou até ao café. Sento-me sozinho e rezo para que seja aquela empregada bonita a atender-me. Assim já tenho alguém para meter conversa. Atende-me o funcionário. Peço uma cerveja que bebo à pressa enquanto ele está bastante ocupado, para pedir outra, esperando que desta vez seja atendido pela empregada bonita. O empregado vê-me a gesticular, pede ás pessoas que aguardem e, gentilmente, vem atender o meu pedido. Depôs de mais uma cerveja, resolvo tentar mais uma vez. Desta vez vou ao balcão…ela diz “só um bocadinho”… o empregado “diz deixa que eu atendo”. Desisto! “Queria pagar o cartão”, digo eu. Rapidamente ele responde: “Queria? Porquê, já não quer?”. Palhaço!

23:30 – Eu e o meu amigo chegamos ao nosso destino. Escolhemos um dos “pufs”, com dificuldade. Não porque o lugar esteja cheio, mas porque queremos um bom spot, Onde possamos ver e sobretudo, ser vistos.

01:38 – Finalmente abre a pista. Bem, não é bem abrir porque está toda a gente a dançar… mas não na pista. Há gente encostada ao balcão, que tem uma mão no bolso, um copo na outra mão e abana ligeiramente o tronco, ou dão-se à loucura e chegam mesmo a abanar a cabeça. Esse é o tipo de pessoas que ora está a fumar, ora está a beber, isto porque tem que ter as mãos ocupadas, caso contrario não sabem o que fazer com elas. Outros estão espalhados pelos cantos, junto aos seus grupos de amigos, dançando cada um à sua maneira.

2:05 – Já bebi mais quatro cervejas e uns tantos shots. Acho que agora já sou capaz de me atrever na pista, que agora está cheia. Esta súbita enchente foi provocada por uma música do Kevin Litle, à qual se seguiram umas tantas com ritmo igual e que parecem ter despertado as pessoas do transe em que se encontravam dançando cada uma para o seu lado, para lhes lançar um novo feitiço: agora todos dançam exactamente a mesma coreografia, compassada, certa. Vou-me juntar a eles, especialmente àquela jovem atraente que não pára de olhar para mim. Tanto pode ser para mim, como para o espelho que se encontra por trás de mim e que reflecte a sua imagem balançando-se provocatoriamente.

4:30 – A jovem foi embora. Dancei com ela! Quer dizer, ao lado dela. Acho que ela não reparou que eu estava lá.
Finalmente, começa o Hip-hop. A minha especialidade. Começo a dançar freneticamente, tentado mostrar o máximo número de “moves” que me ocorrem… Mas sou o único na pista. E fora dela só estão bêbados, e casais de namorados nos preliminares, a quem os meus passos de dança não interessam nada.

5:00 – Chego a casa.

10:00 – Acordo. Não me lembro como cheguei a casa. Só sei que foi mais uma noite falhada. É que… acordei sozinho.